Capitaneada pelo PL de Flávio Bolsonaro, a direita tirou cadeiras do centrão no Senado e fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) amargar a sua pior votação em termos de votos válidos em um primeiro turno desde 1998. Lula teve 53,9 milhões de votos no último domingo (4) e ficou atrás de Flávio, com 56,1 milhões de votos. Em porcentagem, o candidato do PL teve 47% dos votos válidos e o petista, 45,2%.
QUEM PERDE, QUEM GANHA
Lula perdeu cerca de 3,4 milhões de votos entre 2022 e 2026 e saiu derrotado em estados-chave para o resultado eleitoral, como em Minas Gerais, que sempre deu maioria dos votos a todos os presidentes eleitos desde 1989. Na outra ponta, Flávio superou a votação do pai em 2022 em cerca de 5 milhões de votos, saltando de 51,1 milhões (43,2% dos votos válidos) para 56,1 milhões. Os números de Flávio neste domingo se refletem nos resultados do PL nas eleições para o Senado.
O PL elegeu 19 senadores. Somados aos nove que já cumpriam mandatos definidos pelas urnas em 2022, o Partido Liberal tem hoje a previsão de ocupar 28 cadeiras no Senado a partir de 2027. O partido Novo vai ter três senadores. Deste trio, dois abandonaram a campanha do correligionário Zema e apoiaram a candidatura de Flávio ao Palácio do Planalto ainda no primeiro turno: Marcel van Hattem (RS) e Deltan Dallagnol (PR).
Somados, PL e Novo terão 31 senadores -- quase 40% do Plenário da Casa. E há outros senadores bolsonaristas fora do PL, como Damares Alves (Republicanos-DF) e o recém-eleito Guilherme Derrite (PP-SP). O PT não ganhou cadeiras, mas também não perdeu: seguirá com as dez que já possui. Mas, no saldo, a esquerda vai ficar com três cadeiras a menos: o PSB saiu de sete para três; a Rede foi de zero para uma; e o PDT caiu de duas pra uma. Quem mais teve que ceder espaço foi centrão. O PSD, por exemplo, perdeu nove cadeiras no Senado.
MAIS GOVERNADORES
A onda de direita também foi sentida nas eleições para os governos estaduais. Hoje, o PL comanda apenas um estado: Santa Catarina, com Jorginho Mello. Já em 2027, serão no mínimo cinco, com Paraná (Sergio Moro), Rondônia (Marcos Rogério), Roraima (Arthur Henrique) e Rio Grande do Sul (Zucco). Santa Catarina, com Jorginho Mello reeleito, fecha a lista. Também há dois nomes do PL disputando o segundo turno: Douglas Ruas, no Rio de Janeiro, e a Professora Maria do Carmo, no Amazonas.






